Brincando com ele

5 de setembro de 2010 0 Comments Categoria: Animais

Athena 1

Pai, mãe, filho, filha, marido, esposa, dono, bicho de estimação: tais funções devem merecer o adjetivo “presente”. O ideal é termos e sermos bons companheiros – afinal de contas, a gente não adota cães só para salvá-los do abandono e eles tomarem conta da casa.

Brincar com o cão é tão bom, necessário e prazeroso quanto brincar com nossas crianças – e vale lembrar que um canino tem inteligência mais ou menos semelhante a uma criança de dois anos e meio. Aqui vai um guia geral de como brincar com nossas criançonas peludas.

Ensinando e aprendendo a brincar
Obviamente, ensinar brincadeiras ao cão tem tudo a ver com obediência; ele deve estar familiarizado com pelo menos os comandos mais simples e essenciais, como “vem”, “senta”, “junto” e “não”. Por sinal, ensinar o peludo a brincar torna o treinamento “sério” (não escavar o jardim nem mexer no lixo, por exemplo) mais fácil, mais agradável e mais divertido. E já falamos aqui sobre “cães artistas”: pois bem, o brincalhão de hoje pode ser o astro das exposições caninas (os “dog shows”) de amanhã. Mas, mesmo sem grandes pretensões, cães e donos podem se divertir um bocado – e até crianças podem ser ótimos “monitores” e até professores assistentes ou substitutos.

Nada de “cursos intensivos”: mantenha as sessões de treino curtas (no máximo meia hora), ensine apenas um truque por vez e não espere que ele se torne doutor desse truque logo na primeira sessão. Mas vá aumentando o nível de exigência no decorrer das aulas, até o peludo ter dominado o truque e estar pronto para outro.

Exatamente como acontece com alunos humanos, cada peludo é um peludo. Alguns têm mais facilidade ou disposição para determinados truques, alguns aprendem mais depressa que outros, e podem aprender mais truques. Conforme a inteligência do cão e a dificuldade do truque, alguns podem levar de uma semana até alguns anos para serem aprendidos (e você pensa que aquelas acrobatas do Cirque du Soleil já nasceram sabendo?). Assim como é perda de tempo ensinar engenharia civil a quem nasceu para ser jornalista, é preciso fazer um “teste vocacional” com o cão, ou seja, observar seu porte, grau de atividade, temperamento, disposição física – por exemplo, não se precisa (nem deve!) ensinar o truque de cavocar o chão para um canino que já faça isso bem até demais.

Não caia na armadilha de querer transformar prazer em obrigação e forçar o cão a aprender. Pelo contrário, transforme obrigação em prazer, recompensando o bicho com carinho e ocasionais presentinhos (petiscos e brinquedos de que ele gosta) a cada etapa que ele venha a cumprir adequadamente.

O equipamento necessário é quase nenhum: os já mencionados petiscos e brinquedinhos, além de itens opcionais como apito e um “clicker” para ajudar a marcar o momento exato da tarefa exata. O ambiente de “estudo” deve ser tranquilo, sem distrações, e não se esqueça de que cães não têm capacidade de abstração e generalização: pode demorar um pouco para ele aprender onde pode ou não pode demonstrar seus truques.

Ah, sim: não tente ensinar o canino se ele estiver demasiadamente inquieto (em meio de mudança de casa, por exemplo) ou tiver acabado de se alimentar. E esqueça de vez o mito de que “não se pode ensinar truques novos a cão velho”. Aprendizado não tem idade, embora possa ser mais lento para peludos mais idosos.

Alguns truques
O assunto é tão gostoso quanto longo; aqui vai uma amostrazinha de truques simples para seu cão se tornar a alma peluda da festa.

“Aperto de mão”
Para começar, o cão já deverá saber atender ao comando de “senta”. Faça-o sentar-se, pegue uma de suas patas dianteiras e diga “dá a mão”, “bom dia”, “e aí?” ou outro equivalente de cumprimento. Segure a pata dele por alguns instantes, diga “bom menino”, “boa menina” ou um incentivo similar; solte então a pata dele. Depois de alguns instantes diga “dá a mão” ou similar e veja se ele te dá a pata sozinho. Se não der, repita tudo algumas vezes por dia até ele te estender a pata ao ouvir o cumprimento.

(Ah, sim: ao escolher a frase que deseja usar, mantenha-a sempre, pois constância é essencial para treinamento de peludos.)

“Engatinhar”
O cão já deve conhecer o comando “Deita”. Faça-o se deitar, ponha-lhe diante do focinho um petisco ou brinquedo e diga “Engatinha”. Se ele tentar se levantar, coloque o prêmio mais perto do chão e repita bem devagar “Não, deita, rasteja”. Se ele engatinhar, por pouco que seja, cumprimente-o – afinal, ele obedeceu – e repita tudo.

“Cumprimento”
Sente-se ao nível do cão. Mostre-lhe um prêmio, ponha outra mão nos joelhos e faça sinal para o cão vir buscá-lo. Logo que o cão encostar o queixo em seus joelhos, fale “Diga ‘Olá’” ou outro cumprimento, depois diga “Solta” ou “OK”, espere-o levantar a cabeça e dê-lhe o prêmio após soltá-lo. Repita algumas vezes por dia, a cada vez aumentando o tempo em que o cão mantém a cabeça em seus joelhos.

“Onde é que está?”
Mostre ao cão um prêmio pequeno e feche as duas mãos, com o prêmio em uma delas; mostre ao cão as duas mãos fechadas e pergunte “Onde é que está?”, “em que mão está?” ou similar.

O mais lógico será ele fuçar suas mãos com o nariz, mas não lhe dê o prêmio; mais cedo ou mais tarde ele irá tentar com a pata, e quando ele tocar a mão certa diga algo como “Achou!” e dê-lhe o prêmio. Se ele realmente insistir em pegar o prêmio com a boca em vez da pata, não force e dê-lhe o prêmio assim mesmo; o importante é ele demonstrar ter procurado.

“Fale!”
Chame o cão para uma atividade de que ele goste muito como passear ou brincar de bola ou de esconder. Mostre-lhe o brinquedo ou a coleira e deixe-o animado até ele latir. Quando ele latir diga “Isso, fale!” e recompense-o com o brinquedo ou um passeio curto.

Repita algumas vezes até ele começar a latir logo que você disser “fale”. Isso mesmo, ele nunca obedeceria a uma ordem direta de “late” ou muito menos “fale”, mas ele pode ficar animado a ponto de latir. (E isso mesmo, esse truque não é recomendado para cães que já gostam de sair “falando” naturalmente e provocam reclamações de vizinhos.)

“Quieto!”
O ideal é que o cão já tenha aprendido a “falar”. Logo que ele estiver latindo, espontaneamente ou comandado, fique bem na frente dele e diga “Quieto!” Logo que ele parar, dê-lhe uma recompensa.

Assim que ele aprender a ficar quieto por uns cinco segundos (pode verificar, é um tempão), você pode até brincar com ele, alternando os comandos de “Fale!” e “Quieto!” várias vezes seguidas. (Sim, esta brincadeira de “Quieto!” será aplaudida não só pelos convidados, mas também pelos vizinhos que poderão dormir em paz ou, pelo menos, parar de reclamar.)

Não esquecendo brinquedos como bolinhas e “frisbees” especiais para cães (feitos de material mais leve que os normais para evitar machucar a boca do cão), além de atividades mais simples sobre as quais já falamos, como corrida, cabo de guerra (recomenda-se nunca deixá-lo ganhar para que ele não se esqueça de quem é o dominante) e esconde-esconde.

Lembraremos ainda que o bom “professor” é o que sabe não só ensinar mas também aprender e que, como qualquer criança sabe, brincar, além de ser uma alegria, é a coisa mais séria que existe. E nada como aproveitar momentos de lazer com seres que amamos, inclusive, claro, os peludos!

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